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O Argumento Evolucionista contra o Naturalismo (EAAN) de Alvin Plantinga

Se o naturalismo filosófico for verdadeiro, a probabilidade de que nossas faculdades cognitivas sejam confiáveis para atingir a verdade é desastrosamente baixa. Conheça o argumento que abalou o materialismo.

Dra. Cláudia ReisProfessora de Filosofia da Religião

A Tese Central: O Conflito Oculto

Comumente se propaga na cultura secular a narrativa de que a fé religiosa está em rota de colisão irreconciliável com a ciência contemporânea, ao passo que o naturalismo filosófico seria o aliado natural do método científico. O filósofo Alvin Plantinga inverteu radicalmente esse diagnóstico através do seu célebre **Evolutionary Argument Against Naturalism (EAAN)**.

A tese de Plantinga é demolidora: não há conflito entre teísmo cristão e ciência biológica, mas há uma incompatibilidade lógica insuperável entre o **Naturalismo Ontológico (N)** associado à **Evolução Darwiniana (E)** e a **Confiabilidade de Nossas Faculdades Cognitivas (R)**.

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1. O que a Seleção Natural Realmente Seleciona?

A seleção natural opera exclusivamente com base em vantagens reprodutivas e de sobrevivência comportamental (*fitness* adaptativo). Para a seleção natural, pouco importa se as crenças mentais que produzem determinado comportamento adaptativo são ontologicamente verdadeiras ou flagrantemente falsas.

Plantinga exemplifica: imagine um hominídeo primitivo que precisa fugir de um tigre dentes-de-sabre. O comportamento adaptativo necessário é correr para longe do predador. Contudo, esse mesmo comportamento pode ser motivado por uma infinidade de crenças falsas: - Ele pode acreditar que o tigre é um animal fofinho que quer brincar de pega-pega, e a melhor forma de brincar é correr para longe; - Ele pode crer que o tigre é uma ilusão mágica e que pisar em terreno elevado evita encantos; - Ou simplesmente sua mente pode associar sensações sem qualquer compromisso com a verdade factual do mundo.

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2. A Baixa Probabilidade da Confiabilidade

Portanto, sob a hipótese estritamente naturalista e cega (N&E), a probabilidade de que nosso sistema de geração de crenças cognitivas (R) seja confiável para discernir a verdade metafísica, matemática e física é:

$$\text{P}(R \mid N \& E) \text{ é baixa ou indecidível}$$

Ao reconhecer que $\text{P}(R \mid N \& E)$ é baixa, o naturalista adquire um **derrotador ineliminável** (*defeater*) para a crença em R. E como todas as suas demais convicções intelectuais — inclusive sua própria crença na verdade do naturalismo e da evolução — dependem da confiabilidade prévia de suas faculdades cognitivas, o naturalismo se autorrefuta. O materialismo corta o próprio galho em que está sentado.

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Conclusão: O Teísmo como Fundamento da Ciência

A razão humana só é epistemologicamente confiável se tiver sido concebida por um Criador racional que nos formou à Sua imagem e semelhança para conhecer a verdade objetiva de Sua criação. Assim, o teísmo cristão não é um obstáculo para a ciência, mas o seu pressuposto metafísico mais sólido e indispensável.

Sobre o Autor

Dra. Cláudia Reis

Professora de Filosofia da Religião. Pesquisador e articulista vinculado ao Instituto de Filosofia Reformada.

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